Avaliação externa: vilã ou salvadora?
Sozinho, o gestor não garante um bom desempenho dos alunos. Mas reunindo a equipe ele pode melhorar os resultados deles
Fernando José de Almeida (novaescola@fvc.org.br)
"As soluções para problemas complexos só aparecem quando múltiplos atores trabalham juntos, unindo participação e eficiência." Foto: Marcos Rosa
O primeiro efeito que as avaliações provocam é a rejeição. No passado, era comum ouvirmos que a imensidão do país e a diversidade das escolas impediriam qualquer comparação qualitativa. Além disso, entrava em jogo o desconhecimento que os avaliadores tinham dos objetivos de cada instituição. Também era evidente uma desconfiança sobre um ranking elegendo as melhores, o que levaria à desmoralização daquelas em posição desprivilegiada. Obedecendo a essa lógica, esconder o desempenho dos alunos seria a melhor opção.
Hoje, algumas dessas questões ainda aparecem em vários discursos. Mas o Brasil e a estrutura de sua rede pública começam a dar um segundo passo. Em vez de somente negar a importância das avaliações externas, pensamos nelas como parceiras. União, estados e municípios já se debruçam sobre o conhecimento trazido pelos testes que podem influenciar no planejamento da escola, nas práticas de sala de aula e na formação dos educadores - muitas redes, inclusive, já fazem provas locais.
E onde os gestores entram nesse cenário? Qual a responsabilidade nos resultados que as escolas alcançam? Na pesquisa, apenas 2% atribuíram a si a responsabilidade pelas notas do Ideb. Com esse resultado, temos a impressão de que os grandes problemas da escola não têm dono. Nem mesmo pertencem a quem mora dentro dela! É assim também com a sujeira na nossa rua, com os impostos indevidos, com a violência... Passam a ser só preocupação do governante! Mas, se nos indignamos com tantas questões, por que fugimos da reflexão sobre os resultados das aprendizagens?
É cada vez mais claro que as soluções para problemas complexos como esse só aparecem quando múltiplos atores trabalham, unindo participação e eficiência. E o grande iniciador da discussão no âmbito da escola, da diretoria regional e da associação de classe, na imprensa local e no plano municipal de Educação é o gestor. Cabe a ele tomar a iniciativa de articular todos os interessados para, juntos, mobilizarem a comunidade para analisar o impacto das avaliações nas redes escolares. Sozinho, ele não é capaz de implantar a mudança, mas sem seu esforço pouco acontecerá.
Quem sabe na próxima pesquisa sobre o perfil dos diretores 100% deles atribuam a si a responsabilidade perante o Ideb? Assim, teremos a esperança de que a aprendizagem vai melhorar e de que um dos maiores transformadores da realidade escolar vai reunir toda a sociedade, de alunos a políticos, de educadores a comunidade, de funcionários a organismos internacionais em função de um objetivo comum. Dessa forma, terá mais sentido chamarmos cada escola de nossa. Inteiramente nossa.
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